Os Sistemas educativos: princípios e modelos organizativos e O Impacto do Digital nos Sistemas Educativos
A exatos 40 anos, PinkFloyd lançava “Another Brick In The Wall”, música que criticava o sistema de ensino que não ensinava a pensar ou criticar, apenas a repetir e a obedecer. Na letra se pede que o professor se afaste dos alunos, pois a educação é vista como um conjunto de regras que não poderiam ser quebradas e não como uma educação participativa e colaborativa entre pares.
Na música a escola é vista como uma fabrica que reproduz nas esteiras os conteúdos que são convenientes ao sistema, que mantém a grade curricular e decide os que alunos vão estudar ou não.
A música crítica a educação reprodutora, sempre a serviço do modelo dominante da sociedade e que não tem intenção de transformar o discente num ser pensante e questionador, apenas mais um na sociedade, mais um tijolo no muro. A letra da música nos faz repensar a escola e a educação que queremos.
A escola tem um papel importante na formação humana e na construção do sujeito histórico, a formação do cidadão. Numa escola participativa, cabe a todo sistema educacional, não apenas ao professor, assegurar ao educando uma formação critica capaz de levá-lo a questionar sobre as mais diversas temáticas e interferir sobre elas para poder transformá-las.
Na escola, na maioria das vezes, temos aulas expositivas que não atraem atenção dos alunos, seguindo currículos tradicionais. Dessa maneira, fica difícil se trabalhar com o pensamento divergente. Despertar a criatividade na escola exige sempre se trabalhar numa direção de sair do pensamento convergente, pensar de que outras maneiras trabalhar aquele mesmo conteúdo de forma a estimular as funções executivas.
A escola, assim como os professores precisam criar situações que favoreçam o pensamento criativo. Contudo, falta de treinamento, tempo, professores sobrecarregados e o currículo acabam se tornando barreiras para o desenvolvimento de estratégias para se conseguir estimular a criatividade dos alunos. Apesar de todos esses empecilhos existe a necessidade de se estimular a flexibilidade cognitiva dos alunos (“pensar fora da caixa”). Precisamos investir mais nos erros que nos acertos dos alunos, estimulá-los na argumentação e na solução de problemas, que possam trazer mais que uma possível solução para a situação colocada, criar espaços criativos ajuda na aprendizagem, mas todas essas ferramentas exigem colaboração e a participação de todos.
Sir Ken Robinson em seu vídeo “Paradigmas na Educação” coloca que milhares de crianças não veem mais proposito de ir a escola. Por que deixar de ver seu programa favorito para estar numa sala de aula a traz de outro colega escutando uma aula expositiva, em que nada atrai sua atenção? Nosso cérebro, segundo a neurociências, não gosta de despender energia com aquilo que não acha interessante, se aquele conteúdo não é suficientemente interessante para prender atenção não vai existir assimilação. Então existe a necessidade de se criar atividades nas quais os aluno sejam desafiados a pensar, temos que aguçar sua curiosidade, através de perguntas que façam que os mesmos desejem saber a resposta. Contudo, isso exige mudanças de paradigmas na educação, principalmente de currículo e na formação de professores.
Hoje, a escola precisa se reinventar para atender as demandas dessa nova geração que nasceu numa era da Revolução Digital. Durante a pandemia, professores tiveram que procurar recursos, aprender novas ferramentas e se conectar a rede, foi matéria necessária nesse mundo digital para conseguir se comunicar com os alunos.
A tecnologia digital apresentada dentro da educação trouxe novas ferramentas de aprendizagem, deixou as aulas mais interessantes e despertou a curiosidade sobre todos os assuntos possíveis e os alunos (diferente dos adultos) não tem medo de encarar essa tecnologia, a maioria é proativa e corre atrás do que precisa aprender.
O protagonismo do aluno é o alicerce para abrir caminhos para a mudança de paradigma da educação, utilizado as TICs de forma colaborativa e inserindo os conteúdos a ser aprendidos no contexto social de que participa. O ensino híbrido e a rotação por estações na sala de aula podem promover experiências significativas para Moreira e Horta (2020, p.8) […] os ambientes online e físico atuam juntos para fornecer uma experiência educativa integrada. Situação distinta é os alunos aprenderem alguns conteúdos online ,na sala virtual, e repetirem esses mesmos conteúdos na sala de aula do espaço analógico”. Os diferentes ambientes de aprendizagem enriquecidos por ilhas e mobiliário diferenciado além dos recursos digitais propiciam um espaço convidativo para os pares professor-aluno se relacionarem e convida a um mundo de descobertas. Porém, como argumenta Ken Robinson “nossos filhos estão vivendo no período mais intensamente estimulante da história da terra, sendo assediados por informações e chamado sua atenção de todas as maneiras plataformas de computadores […] e estão sendo agora penalizados por se distraírem por aquilo que não é nada chato na escola”. Não podemos deixar de pensar que há muitas incertezas, por exemplo: o modo como o cérebro das crianças interage com todas as informações disponíveis. O papel do professor se torna fundamental para ajudar o aluno a navegar e a filtrar as informações disponíveis na web, além de tentar inserir segurança da informação para conscientizar as crianças a realizarem um acesso a ambientes virtuais seguros.
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